quinta-feira, 11 de maio de 2017

A fotografia, a manipulação e o documento arquivado

Por Rinaldo Morelli

A fotografia traz incrustada em sua história a ilusão de ser um reflexo do real. Este é um mito que já caiu por terra, mas ainda existem ecos que insistem em enquadrar e enclausurar esta linguagem sem reconhecer sua melhor aptidão que é a de interpretar a realidade.

O fotojornalismo ainda respira estes ares de ilusão de ser a fotografia a testemunha dos fatos e de contar por meio da imagem fotográfica, apesar de toda a subjetividade existente na imagem, na intenção do autor e na interpretação do que vemos uma vez que a fotografia permite múltiplas leituras de sua mensagem.

Dentro deste cenário onde o fotojornalismo se insere, a fotografia abaixo (foto 1) foi feita em uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa do Distrito Federal em 24 de março de 2009.
foto 1: Rinaldo Morelli/CLDF
Em uma primeira leitura vemos, são dados conhecidos, os deputados distritais sentados à mesa, os assessores em pé ao fundo, e no canto esquerdo um servidor responsável por secretariar a reunião.

O chefe do Setor de Divulgação solicitou que fossem apagados os assessores que estão na imagem e portanto, estavam presentes à reunião e usando sua prerrogativa de editor também mudou o enquadramento da imagem, fazendo uma edição, uma leitura, uma nova interpretação da imagem.

A fotografia adulterada (foto 2) foi publicada no site da instituição, junto ao texto jornalístico, sendo porém uma imagem que não condiz com o fato fotografado e presenciado pelo fotógrafo. A fotografia publicada junto à matéria jornalística de cobertura sobre aquela reunião fala de um momento que não ocorreu.

Foto 2: Adulteração da foto 1, feita pela Secom/CLDF

A questão que surge diante deste fato é um diálogo entre a história contada pelas fotografias feitas da reunião, o isto foi a que se refere Roland Barthes, em seu livro A Câmara Clara, e o resgate da matéria publicada no site quando for arquivada e indexada dentro do arquivo da produção jornalística da Casa.

Caso seja analisado o conjunto de imagens em comparação com o material publicado poderá surgir a dúvida sobre a manipulação da imagem.

Ao analisarmos apenas a matéria jornalística no site a questão da manipulação não será abordada. Teremos um documento, uma matéria jornalística, onde a fotografia não corresponde ao fato ocorrido, não é mais um índice, uma imagem que pertence agora ao universo da ilustração, relativizando as pretensões do jornalismo factual de ser um testemunho da história. 

Leia mais sobre este debate no site PicturaPixel

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Os festivais e a ponte com o meio acadêmico

Por Rodrigo Jorge


Em sua 7ª edição do Festival Foto em Pauta Tiradentes, que aconteceu entre os dias 22 a 26 de março de 2017, o que se ouvia das pessoas nas ruas históricas da cidade de Tiradentes-MG eram intensos debates sobre fotografia e suas diversas manifestações nos campos: das artes plásticas, fotojornalismo, fotografia contemporânea e o mais técnico, equipamentos e câmeras do momento.

A participação do meio acadêmico nesses festivais tem crescido bastante. Tanto o Paraty em Foco (Rio de Janeiro-RJ), FotoPoa (Porto Alegre-RG), Festival de Fotografia do Sertão (Feira de Santana - BA) e o Festival de Tiradentes (MG) pontuam em sua programação palestras e workshops com grandes nomes nacionais e internacionais ligados ao meio acadêmico. Eu não poderia ficar de fora dessa, participei do workshop "Poéticas Contemporâneas da Fotografia", que trouxe Philippe Dubois com o tema: “O tempo elástico da Fotografia Contemporânea - O tempo da imagem, como um contínuo infinito que a gente pode modular” com exemplos diversos, antigos e contemporâneos. Dividido em 3 partes: 1º - movimento imóvel, a fotografia é o instantâneo, 2º - movimento natural - o cinema como ele acontece ele passa, a vida acontece na nossa frente como a gente vê, 3º - elasticidade natural, a passagem contínua e natural da imagem. Gostaria de destacar que no início Dubois pontuou referências bibliográficas muito interessantes para o artigo. Abaixo, coloquei pontos importantes para reflexão. Não pretendi escrever um texto, e sim pontuar algumas ideias necessárias do próprio Dubois.

Download do áudio AQUI

      


Apontamentos e destaques

  • Fotografia e cinema 
  • A fotografia e o tempo elástico  
  • A linguagem da nova mídia 
  • A transformação da imagem na era digital 
  • Autores americanos - filme

Como funciona a imobilidade e o movimento na Fotografia em seu contexto histórico evolutivo?

  • O instantâneo nasce no primeiro quarto do século 19. Ele também é um movimento estético. Esse estético vai se impor na fotografia dessa época. Era obrigatório que a pose demorasse para poder surgir a fotografia. A imobilidade é obrigatória.
  • Dubois revelou pesquisa em que, a partir de recuperação de imagem por parte de historiador, a exposição demorava cerca 8 horas para fazer essa fotografia. 
  • O daguerreótipo mostrou as ruas de Paris muito movimentadas. As técnicas de Daguerre mantém entre 12 e 15 min de exposição.
  • Charles Négre utilizou o colódio úmido (1851), revelava entre um segundo e um minuto. O instante foi uma questão de conquista, uma luta contra uma exposição longa. Era muito importante reduzir o tempo de exposição.

Eadwearde Muybridge.
  • A gente espera que a fotografia realmente pode ser instantânea em torno de 1875. Ele gostaria de identificar duas pessoas importantes porque elas serão muito úteis com a articulação com cinema: Eadwearde Muybridge e Étienne-Jules Marey. Os dois se interessam pelo movimento, pela decomposição do mesmo. Isso foi importante para analisar um corpo que se mexe. 
  • Placas diferentes Muybridge e o Marey uma única placa (Cavalo Branco). Ele usava 24 câmeras diferentes, várias posições diferentes. 
  • O objetivo é demonstrar.A mesma coisa com o vôo dos pássaros, ele decompõe a posição dos animais. A mesma coisas com pessoas.

Marey (Etienne-Jules Marey)
  • Foco no movimento do corpo (cromofotografia sobre uma placa fixa e depois na placa móvel)
  • Obturador rodando no percursos da placa, com uma pequena fenda.
  • Fuzil fotográfico. A existência do cinema, são precursores do cinema.Quando o instantâneo surgiu ele auxiliou o surgimento do cinema com a imagem em movimento. A análise e a síntese são complementares. Instantâneo e a imagem cinematográfica. O instante fixado. Depois, uma foto dos irmãos Lumière (Auguste e Louis Lumière).

O instantâneo e o cinema (expressão da velocidade)

  • As invenções, “o cinema é uma invenção sem futuro”, a fumaça e o trem, sintetizam o movimento. Uma forma de mostrar que ele está indo rápido. Homem com o lençol sendo jogado no ar, o instantâneo que mostra a asa. Ele é como um acidente, como uma sorte. E sim, ele é capaz de captar esses acidentes. Capturar a vida como uma forma improvisada. 
  • Tudo isso no início do século XX. Acompanhar o movimento que oferece sentido e velocidade. Pessoa que joga tênis, outra que corre pela escada, como será que ela vai cair (o salto dela é muito bonito!).


Cartier-Bresson (HENRI)

  • O momento decisivo, o reconhecimento de um fato em uma fração de segundo. A forma dele se impor como a mais forte. O fotojornalismo é a plenitude desse instantâneo. 
  • Robert Capra, ela tem esse lado flow, e ele foi incorporado na fotografia. Caron, (Gilles) Fumaça. Fotografia científica e a fotografia publicitária com altíssima velocidade. A gota de leite, que quando ela cai e faz essa coroa.


A conclusão desse caminho - movimento natural do cinema
  • O objetivo era mostrar a imagem da forma como a gente via a imagem. As pessoas na estação de trem, e no lado direito é a saída de uma fábrica. Quando termina um dia de trabalho. Essa cena foi feita para filmagem, porém estamos vendo a vida como ela é, em movimento. Roupa de bebê, almoço do bebê com a família Lumière. As folhas mexem, isso é o mais impressionante, por que será? Que isso que atraem, isso porque eles nunca tinham vista uma filha se mexendo. A vida como ela é, tem algumas coisas diferentes. No primeiro filme eles estão demolindo uma parede. Não era possível ver na realidade. A gente só pode ver o movimento reverso numa imagem. O balão é filmado na vertical, a ideia deles foi prender no balão uma câmera, uma imagem que não é o ponto de vista humano. 
  • E finalmente, temos a primeira ideia de plano. Um bloco de espaço de tempo indivisível, …formando um conjunto de duas partes de um filme montado. A queda da parede tem 2 planos. Espaço e tempo indivisível, e o plano é instantâneo que dura. O movimento filmado é o plano o que quer dizer que é o cinema. A câmera é o espectador, o plano é a consciência cinematográfico, e o plano é uma imagem que mostra as coisas como a gente as vê. Um balé (Orson Wells (consciência e elasticidade começa está presente nesse plano). Plano contínuo, todos os movimentos vão dar essa elasticidade ao movimento. Noções de plano e continuidade. Uma continuidade do movimento.


Elasticidade temporal da imagem
  • Qual a velocidade desse movimento. A película em movimento. Placas móveis, com pedaços de 90cm, ele animava esses filmes para observar o movimento e não capturar ou fixar, como a fotografia. Experiências com as imagens, a bala com a bolha de sabão (ele dá um tiro com a bolha de sabão). Os primeiros movimentos de “timelapse”,  a posição mimética dos Lumière, e o cinema deve reproduzir o movimento como a gente o vê. Que não é mimética. Ver de outra forma para saber mais. 
  • A experiência da variação de movimento, então todas essas experiências elas produzem imagens inéditas. Didier Morin, 1985, série Carnac. Lugar na França que existem monumentos. Ele segura a câmera, coloca em longa exposição e a respiração é que faz os desenhos. No último segundo ele joga o flash o que torna a imagem branca. Pedras que se mexem. Michael Wesely, série still flowers são exemplos disso. Uma semana de exposição e uma semana de vida daquela flor. 
  • A fotografia é uma continuidade.



sexta-feira, 20 de maio de 2016

Excertos de Sánchez-Vigil, J. M.; Marcos-Recio, J. C.; Olivera-Zaldua, M. e NEIVA Jr., E.

Em continuidade à dinâmica da disciplina, foram selecionados alguns excertos dos textos escolhidos para tratar do conceito de Comunicação da Informação:

Allice Khadija:
Sánchez-Vigil, J. M.; Marcos-Recio, J. C.; Olivera-Zaldua, M. (2014). Tesis doctorales sobre fotografía en la universidad española. Análisis de la producción y dirección (1976-2012). Revista Española de Documentación Científica, 37(1):e034. 

Excertos:
El estudio, como se ha indicado, comprende el periodo 1976-2012, coincidente con la apertura de las Facultades de Ciencias de la Información de la UCM y la Universidad de Barcelona, y cuyas primeras tesis fueron leídas, por tanto, en la segunda parte de los setenta. (P. 3)


Utilizada en diversos campos, facultades e instituciones científicas, se trata de un documento social, informativo y científico de primer orden. Además, como soporte documental viene a dar testimonio de una época, de ahí la importancia que tiene su seguimiento, estudio e investigación en la Universidad  (p. 10)


Duda Bentes:
NEIVA Jr., E. (1986). A imagem (Vols. Série Princípios, 87). São Paulo: Editora Ática.
  • Segundo Panofsky [1], a perspectiva não é apenas uma técnica; ela é uma forma simbólica que identifica profundamente um conteúdo intelectual com um modo sensível de representação. A variação na ordem sensível da representação que dizer que a perspectiva não é a transposição das condições supostamente eternas do olhar. As perspectivas são construções históricas. (p. 32-33)
  • A obra de arte deixa de ser considerada mero agente reprodutor – objeto mimético – das condições da percepção; trata-se de um sistema de significações; não é apenas um trabalho conjunto da mão e do olho. A obra de arte significa a civilização onde foi produzida; é, também, uma reflexão. (p. 35)
  • Com a filosofia cartesiana começam a ser instauradas as condições propícias para uma concepção técnica da imagem que exige uma participação reduzida do trabalho manual do pintor e do desenhista. Quando as teses de Descartes forem históricas e, portanto, estiverem absorvidas sem que seja necessário reconhece-las, então aparecerá a fotografia: uma imagem com menor intervenção do homem, efeito direto do contato da luz com uma superfície sensível. (p.56-57)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Excertos de Wersig & Neveling, Neiva Jr. e Sánchez-Vigil, Marcos-Recio & Olivera-Zaldua

Em continuidade à dinâmica da disciplina, foram selecionados alguns excertos dos textos escolhidos para tratar do conceito de Comunicação da Informação:

Bruno Souza:
WERSIG , Gernot; NEVELING , Ulrich. The phenomena of interest to information science. Information Scientist, v.9, n.4, p. 127-140, Dec. 1975. Versão traduzida para o português por Tarcísio Zandonade: Wersig & Neveling. Os fenômenos de interesse para a ciência da Informação.

Gernot Wersig: Cientista da informação, nascido em 1942 na União Soviética, radicado na Alemanha, Wersig é um dos poucos cientistas que trabalhou com um fundamento sociológico para a Ciência da Informação. Após estudar Jornalismo, Sociologia e Ciência da Documentação obtêm o título de Magister Artium (M.A.) em 1967. Entre 1968 e 1977 trabalhou com outros cientistas e professores assistentes no Instituto de Documentação e Estatísticas Médicas da Universidade Livre de Berlim. E em 1971 concluiu o doutorado obtendo o grau de PhD em Ciência da Informação e Documentação.

Ulrich Neveling: Cientista da informação alemão. Assistiu a Gernot Wersig nas investigações sobre a ciência da informação na década dos 70. Atualmente prossegue seu labor acadêmico e de investigação na Biblioteca do Instituto de Jornalismo da Freie Universität Berlinde (Alemanha).

"O caso extremo de polissemia na comunicação técnica da informação e da documentação é o termo ‘informação’. A análise semântica feita por um dos autores deste trabalho mostrou que existem, pelo menos, seis diferentes abordagens para o uso e significado do termo em todo o campo da disciplina. Obviamente, cada uso e significado do termo é justificado, mas como a ambigüidade é um dos maiores entraves na comunicação científica e na elaboração de teorias, dever-se-á encontrar uma regra para avaliar qual é o significado que convém para cada objetivo." (p. 5)
"Se o termo ‘informação’, ou um de seus derivados como ‘informática’, é inevitável, deveremos deixar claro, em cada caso, seu significado." (p. 9)
"A abordagem puramente prática, com métodos tradicionais, de preferência biblioteconômicos, provou ser ineficaz para a solução do problema fundamental. A partir dos requisitos de uma prática que cresceu e se tornou cada vez mais complexa, emergiu o trabalho científico, e, em seguida, apareceu um grupo de pessoas, foi utilizada uma nova tecnologia e surgiu a comunicação especializada. Desta maneira desenvolveu-se uma nova disciplina – não por causa de um fenômeno específico, o qual sempre existira e agora se transformou num objeto de problema cuja relevância para a sociedade foi completamente alterada. Hoje, o problema da transferência do conhecimento para aqueles que dele necessitam é uma responsabilidade social e esta responsabilidade social parece ser o motivo real da ‘ciência da informação’." (p. 11) 
"A solução ampla pode ser baseada na abordagem estrutural da informação. Se cada estrutura do mundo objetivo é ‘informação’, uma ciência relacionada com os métodos de descobrir esta informação, de representá-la, e de transformá-la em novas representações que permitam conclusões adicionais, será possível e útil para todos os tipos de atividade científica." (p. 12-13) 
"As soluções ampla e média foram similares no fato de não possuírem nenhuma limitação da área em que a informação é considerada, mas foram diferentes na generalidade do conceito básico de informação. A solução estrita (tal como lançada aqui) não propõe uma compreensão limitada de ‘informação’, mas da área em que a ‘informação’ é considerada. Esta é, naturalmente, a solução que não é (como as soluções ampla e média) baseada em interesses abstratos, teoréticos, mas em problemas práticos que devem ser resolvidos." (p. 15)

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Excertos sobre a Alegoria da Caverna

Texto extra da disciplina de pós-graduação "Acervos Fotográficos e o ciclo da informação"

Allice Lopes:
PLATÃO. A Alegoria da caverna. A Republica, 514a-517c. In: MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia: dos Pré-socráticos a Wittgenstein. Trad. Lucy Magalhães. 2a ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.
''Sócrates: Assim sendo, os homens que estão nessas condições não poderiam considerar nada como verdadeiro, a não ser as sombras dos objetos fabricados.''

'' É preciso que ele se habitue, para que possa ver as coisas do alto. Primeiro, ele distinguirá mais facilmente as sombras, depois, as imagens dos homens e dos outros objetos refletidas na água, depois os próprios objetos. Em segundo lugar, durante a noite, ele poderá contemplar as constelações e o próprio céu, e voltar o olhar para a luz dos astros e da lua mais facilmente que durante o dia para o sol e para a luz do sol.''

''Sócrates: E se ele tivesse que emitir de novo um juízo sobre as sombras e entrar em competição com os prisioneiros que continuaram acorrentados, enquanto sua vista ainda está confusa, seus olhos ainda não se recompuseram, enquanto lhe deram um tempo curto demais para acostumar-se com a escuridão, ele não ficaria ridículo? Os prisioneiros não diriam que, depois de ter ido até o alto, voltou com a vista perdida, que não vale mesmo a pena subir até lá? E se alguém tentasse retirar os seus laços, fazê-los subir, você acredita que, se pudessem agarrá-lo e executá-lo, não o matariam?''
Como sugestão do professor, há uma animação, cujo texto é relativamente fiel às traduções modernas do texto, e apresenta uma representação no mínimo interessante.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Excertos de Gombrich, Dahlberg, Lopez e Heredia Herrera

Dando continuidade às discussões sobre "organização da informação" (aulas 22 e 29 abr) foram selecionados alguns excertos dos textos escolhidos para o debate.

Duda Bentes:
GOMBRICH, E. Condições da ilusão. In: Arte e ilusão: um estudo da psicologia da representação pictórica. Trad. Raul Sá Barbosa. São Paulo: Martins Fontes, 1986;  cap 7, p. 175-209
"É o poder da expectativa, mais do que o poder do conhecimento conceitual que molda o que vemos, na vida não menos que na arte." (p. 193)
"A possibilidade de que todo reconhecimento de imagens esteja ligado a projeção e antecipações visuais é reforçada pelos resultados de experiências recentes [...] Sem essa tendência que temos a ver um movimento potencial sob a forma de antecipação, os artistas nunca teriam sido capazes de criar a sugestão de velocidade em imagens estacionárias." (p. 196)
 "Sem saber, procedemos a uma rápida sucessão de testes de consistência, e escolhemos a cada vez a interpretação que faz sentido." (p. 199) [...] "Onde quer que a imagem seja usada para a comunicação, podemos estudar essa avaliação da intenção provável do autor e os testes de consistência que levam à interpretação e ilusão." (p. 201)

Bruno Carvalho Souza:
DAHLBERG, I. Teoria do conceito. Ciência da Informação, Brasília, v.7, n.2, p.101-7, 1978. (Acesso aqui).
"Podemos então dizer que a linguagem constitui a capacidade do homem designar os objetos que o circundam assim como de comunicar-se com os seus semelhantes."
"(...) só é possível proceder a essa decomposição do conceito coletando-se os enunciados verdadeiros que sobre determinado objeto se podem formular. Pode-se então dizer que os elementos do conceito são obtidos pelo método analítico—sintético. Cada enunciado apresenta (no verdadeiro sentido de predicação) um atributo predicável do objeto que, no nível de conceito, se chama característica. Muitas vezes não se trata de um atributo a que corresponde uma característica mas de uma hierarquia de características, já que o predicado de um enunciado pode tornar-se sujeito de novo enunciado e assim sucessivamente até atingirmos uma característica tão geral que possa ser considerada uma categoria. (Entende-se aqui por categoria o conceito na sua mais ampla extensão)."
"Quando a comparação entre as características dos conceitos mostra que dois conceitos diferentes possuem uma ou duas características em comum, então há que falar de relações entre tais conceitos..."
Elainte Torres, 2016: "Iniciando um Projeto". In: Imagine: gênese da informação

 Alice Ferreira Lopes:
LOPEZ, A. El contexto archivístico como directriz para la gestión documental de materiales fotográficos de archivo. Universum, Talca, v. 23, n. 2, 2008. (Acesso aqui).
''La archivística prioriza la dimensión del documento como índice de la actividad que lo generó. Así, lo que el documentalista busca en la interacción del referente con la imagen, el archivero lo busca en la integración de la función generadora con el documento. En este último caso, la información imagética del referente se muestra apenas como una característica más. La caracterización del registro fotográfico como índice implicaría que él, necesariamente, representase algo que sea identificado por el documentalista''
''La inserción de los documentos fotográficos y de los demás documentos imagéticos en la clasificación archivística no significa desconsiderar sus especificidades. Significa, sí, entender las particularidades del documento archivístico como más importantes que las peculiaridades de cada modalidad de documento (documentos fotográficos, por ejemplo). Se trata de agregar documentos en una generalidad común y, dentro de ésta, comprender las especificidades.'' 
Natália Saraiva, 2016: "Organizando a direção". In: Imagine: organização da informação.

Elaine Torres Américo:
HEREDIA HERRERA, Antonia. La fotografía y los archivos. In: FORO IBEROAMERICANO DE LA RÁBIDA. Jornadas Archivísticas, 2, 1993, Palos de la Frontera. La fotografía como fuente de información. Huelva: Diputación Provincial, 1993. 
"La fotografia como el documento textual -que puede o no ser documento de archivo— puede pretender reproducer una realidad, en cuyo caso si cabe hablar de -certificado de presencia-, o bien crear, inventando, un mundo nuevo convirtiéndose en una forma de expresíon de creatividad humana"
"...De aqui su doble dimension informativa y artistica y de aqui tambien las actitudes ante la ac­ción de su depósito en instituciones tradicionales (archivos, bibliotecas) o en museos o instituciones culturales";
" Al decir 'archivos fotográfico' se nos plantea de nuevo el problema denominativo y conceptual apuntado al principio. 'Archi­vos fotográficos', 'fondos fotográficos' son denominaciones que entran en colisión con la terminología archivística"

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Excertos de Buckland, de Capurro & Hjorland e de Lopez

Com o objetivo de fomentar a discussão na disciplina de seminários do GPAF os participantes elencaram alguns excertos dos texto de Buckland, de Capurro & Hjorland e de Lopez, para embasar o exercício de discutir conceitualmente informação e gênese da informação (aulas 01,08 e 15/abr):

Duda Bentes, 2016: Gênese da Informação In: Imagine: gênese da informação

Alice Ferreira Lopes:
BUCKLAND Michael K. Information as a thing. Journal of the American Society of Information Science (1986-1998), v. 42, n.5, p 351, 1991. (texto original aqui; tradução livre aqui)
  • ‘’ Information-as-thing is of special interest in the study of information systems. It is with information in this sense that information systems deal directly. Libraries deal with books; computer-based information systems handle data in the form of physical bits and bytes; museums deal directly with objects. The intention may be that users will become informed (information-as-process) and that there will be an imparting of knowledge (information-as-knowledge). But the means provided, what is handled and operated upon, what is stored and retrieved, is physical information (information-as-thing). On these definitions, there can be no such thing as a “knowledged-based” expert system or a “knowledge access” system, only systems based on physical representations of knowledge. ‘’ (P. 352)
  • "If something cannot be viewed as having the characteristics of evidence, then it is difficult to see how it could be regarded as information. If it has value as information concerning something, then it would appear to have value as evidence of something. “Evidence” appears to be close enough to the meaning of information-as-thing to warrant considering its use as a synonym when, for example, describing museum objects as “authentic historic pieces of evidence from nature and society.” (Schreiner, 1985, p. 27)." ( p. 469).
  • “Information-as-thing”, then, is meaningful in two senses: (1) At quite specific situations and points in time an object or event may actually be informative, i.e., constitute evidence that is used in a way that affects someone’s beliefs; and (2) Since the use of evidence is predictable, albeit imperfectly, the term “information” is commonly and reasonably used to denote some population of objects to which some significant probability of being usefully informative in the future has been attributed. It is in this sense that collection development is concerned with collections of information.’’ (P. 357)

Duda Bentes:
CAPURRO, Rafael; HJORLAND, Birger. O conceito de informação. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 12, n. 1, p. 148- 207, jan./abr. 2007 (Acesso aqui)
  • 1) Sobre definições persuasivas.
    • “[...] Quando usamos o termo informação em CI, deveríamos ter sempre em mente que informação é o que é informativo para uma determinada pessoa. O que é informativo depende das necessidades interpretativas e habilidades do indivíduo (embora estas sejam frequentemente compartilhadas com membros de uma mesma comunidade.” (p. 154-155)
  • 2) Sobre os usos modernos e pós-modernos da informação.
    • “Esta transição da idade média para a modernidade no uso do conceito de informação – de dar uma forma (substancial) à matéria para comunicar alguma coisa a alguém – pode ser detectada na filosofia natural de René Descartes (1596-1650), que chama as ideias de formas do pensamento, não no sentido de que estas são retratadas (depictae) em alguma parte do cérebro, mas na medida em que elas informam o próprio espírito voltado para esta parte do cérebro (DESCARTES, 1996, VII, p. 161). (p. 158)
    • “[...] Tem sido extremamente interessante observar como o conceito de informação está intimamente ligado a visões sobre o conhecimento. Esta conclusão é importante para a análise posterior do conceito de informação em CI, porque indica uma conexão muito negligenciada entre as teorias da informação e as do conhecimento.” (p. 159)
  • 3) Sobre “Análise de domínio, sócio-cognitivo, hermenêutica, semiótica e perspectivas relacionadas.
    • “A perspectiva cognitiva dá um passo em direção à compreensão subjetiva da informação. Buckland dá outro passo. O enfoque da análise de domínio vê diferentes objetos como sendo informativos em relação à divisão social do trabalho na sociedade. Desta forma, a informação é um conceito subjetivo, mas não fundamentalmente em um sentido individual. Os critérios sobre o que conta como informação são formulados por processos sócio-culturais e científicos [...]” (p. 192)

Duda Bentes, 2016: Informação. In: Imagine:informação.

Bruno Carvalho Souza:
LOPEZ, A. Photographic document as image archival document. In: TEHNIČNI in Vsebinski Problemi Klasičnega in Elektronskega Arhiviranja: referatov dopolnilnega izobraževanja s področij arhivistike, dokumentalistike in informatike v Radencih, 8, Maribor, 2009. Maribor: PAM, 2009. p. 362-272. (Acesso aqui)
  • Image records and documents have increased their reproduced visual information, and generated new records without the register of such transformation. That practice stimulates the multiplication of image manifestations of a same content, homogenizing different contexts and records. (Obs: o texto faz referência à internet)
  • It is important to remember that the erroneous identification of the complete record, the one that is proficient to generate consequences, may lead to disastrous outcomes at the research level as well as on the execution of administrative tasks. This aspect is more delicate when it involves records and documents which validation signs and proceedings are incorporated as an attach register, like on image and electronic records. The disconnection of such bond might have disastrous consequences not only during the execution of the administrative activities but also on their proof. The identification of the record’s genesis is the only resource able to avoid the pitfalls posed by the image polysemy character.
  • On an image record, lonely considered, the veracity has the propensity to be bewildered with image’s authenticity, since there will not be enough data to determine the record’s context. 
Elaine Torres Américo:
LOPEZ, A. Contextualización archivística de documentos fotográficos. Alexandria: revista de Ciencias de la Información, ano V, n.8, jan./dez. 2011. (Acesso aqui)
  • “La organización archivística de los documentos imagéticos nos presenta diferentes dificultades, principalmente en lo que atañe al uso de los principios orientadores de esta disciplina, tales como el de procedencia (respect des fonds) y el de respeto al orden original”;
  • “Muchos archivos, sobre todo los denominados “fotográficos”, presentan una marcada propensión hacia la valorización de las posibilidades de uso de su información, relegando a segundo plano el contexto de producción”.